Após mais de 3 anos estou de volta para trazer notícias da minha jornada no mundo da arte Bonsai e também comunicar que retomei minha atenção para as queridas plantas que neste período estiveram órfãos .
Muita coisa aconteceu nesse período desde o fim e a volta do meu casamento, mudança de residência, de foco no trabalho, e claro, como um bom ser humano descuidado, não consegui equilibrar todos os meus papeis de vida, ficando o prazer de exercer a arte Bonsai, representado pelo papel "coisas que o Bruno gosta" totalmente relegado ao ostracismo.
Neste período, perdi plantas na mudança, outras morreram por não se adaptarem ao novo tempo de exposição de sol e o ph da água do novo local de residência, algumas foram roubadas (é isso mesmo! surrupiadas pela grade do jardim) e a maioria perdi por falta de cuidados básicos.
Dos 40 projetos que possuía, sem contar pequenas mudas e sementes em desenvolvimento, sobraram cerca de 12 exemplares, daqueles mais resistentes, que aos poucos trarei para acompanharem o desenvolvimento.
Vocês devem estar se perguntando: Tá, mas se você largou essas plantas pra sobreviverem por si só, porque estará retornando ao cultivo? A resposta é muito simples. Porque eu amo praticar e acompanhar seu lento desenvolvimento, e ao final de cada período, ver os frutos, as folhas e as estruturas saudáveis e ter a certeza de que fiz um bom trabalho. Alimentar minha família e decorar nossas casas com exemplares criados por mim também é um motivo legal.
Ocorre que essa vontade do cuidado nunca morreu em mim, mas quando desequilibrei meus papeis focando apenas no trabalho, muitos gostos e satisfações foram subjugadas, como se não tivessem importância na minha vida e perdi coisas boas durante o caminho.
Mas 2017 foi um ano diferente e a virada para 2018 manteve um desejo forte de ser pleno, em todos os papeis, familia, trabalho, voluntário e por aí vai. E algumas leituras e reflexões, despertaram em mim essa necessidade, de atender a todos os papeis, pois do contrário não haveria plenitude em meu desenvolvimento pessoal e muito menos de realizações.
E aqui estamos, retomando um dos maiores prazeres que encontrei na vida, e desenvolvi inicialmente sozinho para depois com o apoio de amigos inesperados na cidade e outros tantos pela internet, praticar novas técnicas após estudos interessantes.
Se você está chegando pela primeira vez, pode não entender muito bem esse contexto e achar que o post não tem a ver com bonsai, mas tem ok? Para que aquelas belíssimas plantas sejam apresentadas com glamour, cores fantásticas e formas artísticas como se vê na tv ou cinema, antes, muito trabalho de base tem de ser feito, como o que estou mostrando hoje por exemplo, por isso, convido a percorrer outros posts aqui do blog que você vai entender.
Sem mais delongas, apresento abaixo as atividades desenvolvidas nessa semana na tentativa de salvar aquelas que lealmente se mantiveram de pé enquanto me distanciei.
Todas as plantas que mostrarei abaixo estavam extremamente carentes de cuidados, tanto de tratamento e troca de substrato, como adubação, poda, proteção e tudo mais. Assim, ainda que para algumas especies, a troca de substrato está fora do período atual, realizei algumas trocas e nada mais. Vou deixá-las se recuperarem para nas próximas janelas de cuidado realizar intervenções para seus crescimentos saudáveis.
Esse é um piteco criado desde a semente assim que retirei do vaso. A espécie possui uma estrutura muito boa para o bonsai pois possui características de envelhecimento de tronco, folhas pequenas e crescimento bem espaçado na copa.
Como pode ser visto, não havia mais espaço para crescimento e alimentação. O substrato de terra, areia e cacos de telha foi totalmente consumido pelas raízes, apresentando-se super seco. Confira a história dessa planta clicando aqui
Essa é uma laranjeira kinkan, segundo minhas fontes. Assim como piteco e todas as demais plantas, o substrato estava extremamente pobre, apesar do excelente sistema radicular secundário, com inúmeras raízes finas para alimentação. Clique aqui e conheça mais sobre a minha laranjeira.
Essa conheço como Ficus Green Island, uma planta de interior leitoso muito bacana, flexivel e resistente. Apesar de mais de 3 anos sem cuidados, resistiu bem e as raízes estavam saudáveis. Deposito muita expectativa nela pois possui um movimento estilo cascata natural que gosto muito. Conheça esse mimo clicando aqui
Mais um exemplar com o comprometimento do substrato para seu desenvolvimento. A foto retrata bem como as raízes começaram a circular o vaso em busca de alimento. Conheça uma das fases dessa bougainville (também conhecida como primavera) clicando aqui
Aqui a mesma primavera anterior, também apelidada carinhosamente de bouga salmão, devido às cores de suas folhas em época de floração.
Essa romanzeira é muito querida e uma das plantas mais difíceis que encontrei pelo caminho. Até hoje apanho para compreender seu desenvolvimento e fornecer as condições e alimentos mais favoráveis. Veja aqui como ela chegou a crescer, inclusive dando um fruto.
Essas duas primaveras são bem jovens e possuem pouquissimas raízes, muitas se perderam por terem apodrecido com muita umidade nos vasos sem os substratos adequados.
Também um planta complicada de arriscar no bonsai, especialmente porque as coníferas de uma forma geral crescem sempre pra cima e não aceitam muito bem as podas. Também maltratada pelo tempo esse Cipreste querido está indo para uma casa nova.
Assim foi o meu retorno, com tentativas de salvamento antes de apresentar beleza e exuberância. Continue acompanhando e venha comigo nessa jornada de conhecimento da arte bonsai. Acompanhe também o Bonsai Clube Juiz de Fora e conheça outros corajosos e curiosos nessa aventura do bonsai.
Hoje vou oficializar um projeto que já apareceu timidamente em postagens sobre adubação e mudas jovens, já que a planta vem sobrevivendo e custei para encontrar informações técnicas e dicas sobre o cultivo, trata-se de uma conífera que comprei sob o nome de Cipreste.
Abaixo algumas informações técnicas da espécie:
Identidade da espécie
Taxonomia
Nome atual: Cupressus lusitanica
Autoridade: Mill.
Família: Cupressaceae
Sinónimo (s)
Cupressus benthami Endl.
Cupressus glauca Lam..
Cupressus lindleyi Lindl. ex Parl.
Cupressus lusitanica var. hondurensis J. Silba.
Nomes comuns
(Amharic): yeferenji-tid
(Inglês): cedro de Goa, cipreste, Quênia
cipreste, cipreste mexicano
(Francês): Cypres, cyprčs de Goa, Cypres de
Mexico
(Alemão): Mexikanische Zypresse
(Espanhol): Cipres, Ciprés Mexicano
(Swahili): msanduku
(Tigrigna): tsehdiferenji
(Nome da empresa): cipreste
Descrição Botânica
Cupressus lusitanica é uma árvore perene, de 35
m de altura, com uma coroa densa, cônica. Seus ramos se espalham muito, mas terminam em pontas pendentes. A casca do tronco é
marrom-avermelhada, esfoliante em tiras longas e estreitas, tornando-se áspera
pelo desenvolvimento de muitas fendas curtas.A folhagem nitidamente verde-azulado é oval,
pressionado de perto, geralmente com tempo, apontou ápice.
História da cultura
C. lusitanica foi introduzido no Quênia em 1910
e desde então se tornou uma importante cultura industrial e plantação.A espécie foi introduzida para a Etiópia em 1950 em
plantações pequenas e dispersas como um ornamental urbana, em 1968, a primeira
plantação florestal foi criado lá.
Habitat Natural
C. lusitanica é encontrado em sazonalmente
úmidos para climas permanentemente úmido, com precipitação anual normalmente
entre 1000 e 1500 mm e uma estação seca com duração de não mais de 2-3
meses.Também ocorre em climas muito úmidos com precipitação anual de até 4000
mm.Geralmente não é
danificado pela neve ocasional ou breves períodos de geada, mas há diferenças
significativas entre procedências.Ele
não pode suportar o alagamento.Espécies associadas no
seu habitat natural incluem guatemalensis Abies, Litsea glaucescens, Pinus
montezumae e Prunus brachybotrya.
Distribuição geográfica
Nativo: Belize, Costa Rica, El Salvador,
Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Estados Unidos da América
Altitude: 1 000-4 000 m, temperatura média
anual: 12-30 graus.C, precipitação média
anual: 800-1 500 milímetros Tipo de solo: C. lusitanica floresce em profundo,
úmido, bem drenados, férteis de neutro para reação ligeiramente ácido.
Biologia Reprodutiva
Árvores primeiro fruto em 6-9 anos, ou mais
tarde em locais desfavoráveis.Floração ocorre na época mais seca do ano, com
flores masculinas e femininas que surge em diferentes pontos da coroa
(monossexual).Cones desenvolvem dentro de 6 meses após a polinização pelo vento e levar dois anos para
amadurecer.
Métodos de propagação
Convencionalmente, C. lusitanica é gerado a
partir de sementes, embora seja possível induzir estacas de raiz.Pré-semeadura tratamento não é necessário.Semeadura
direta, colocando as sementes em mangas de bambu tem sido usado com algum
sucesso, mas o uso de ações que é a raíz nua ou em recipientes é mais comum.Para rápida e uniforme germinação epígea,
estratificação em areia úmida por 30 dias é recomendado; germinação ocorre em
20-30 dias; taxa de germinação esperada é de 30-45% de maduros, os lotes de
sementes sadias.Mudas desenvolvidas em
canteiros são 5-7 cm de altura em cerca de uma semana, quando devem ser
transferidos para recipientes que tenham sido preparados de 3-4 semanas de
antemão por peneiração do solo para remover partículas grandes e, em seguida,
permitindo que o solo de modo a formar uma estrutura de miolo , o que promove
uma boa drenagem.Plantas de 20-30 cm de
altura são transferidas para um viveiro antes de serem plantadas.A regeneração natural é bom em áreas queimadas e
clareiras naturais, se a concorrência da flora do solo não se torna intenso.
Gestão de árvore
As coníferas de crescimento rápido são plantadas
em terras que foi liberado pela queima, para melhorar as condições de
enraizamento e eliminar potenciais concorrentes.Em geral, as mudas devem ser plantadas em 2 x 2 ou
3 x 3 m; espaçamento próximo é preferível evitar fortes ramificações de
desenvolvimento.Como C. lusitanica dá
apenas proteção limitada contra a erosão do solo, povoamentos puros em encostas
ou erosão propensas locais devem ser underplanted com outras espécies
adequadas.Capina é uma
necessidade absoluta durante os primeiro anos.A poda é praticada de forma que árvores render de
alta qualidade, sem nós madeira serrada.A
poda deve ser feita quando as árvores são de 3 anos, com três podas mais de 6,
9 e 13 anos de idade em uma rotação de 25-30 anos.Árvores cultivadas de alta qualidade da madeira
devem ser podadas a 30% de suas alturas a cada 3 anos, sem diminuir o
crescimento do volume.Emagrecimento é
prescrito antes de cada poda.Nos primeiros anos, as
árvores individuais deve mostrar um incremento anual de altura 1,2-1,5 m (2 m
em casos excepcionais).As árvores produzem
pólos depois de 10 anos e de propósito geral de madeira após 20 anos.Eles precisam ser protegidos do fogo e ataque de
roedores.
Utilizações
funcionais
Produtos
Combustível: C. lusitanica é uma boa fonte de
lenha.Madeira: As serras de
madeira branca limpa e tem grão reta fina, é uma fonte de madeira de construção
e de celulose e é usado para móveis, pólos e postos.
Serviços
Sombra ou abrigo: árvores são adequados como
quebra-ventos.Ornamental: A bela
árvore pode ser plantada em zonas de recreio.Limite ou barreira ou de apoio: É cultivada como
cerca viva.
Pragas e doenças
As árvores são suscetíveis a pragas de insetos
Acheta assimilis, Agrotis spp., Atta spp., Captotermes Crasso, exoftalmia spp.,
Phytophaga spp., Platypus spp.e
Aratus Pypselonotus.A praga mais conhecida
é a broca Oemida gahani, que ganha a entrada através de feridas
superficiais, tais como aqueles criados pela poda e degrada a madeira; poda
antes árvores são 7 anos de idade poderia conter o problema.O pulgão cipreste Cinara cupressi ataca árvores da
família Cupressaceae no sul e centro da África e está rapidamente avançando
para a Tanzânia eo Uganda.Pragas são controladas
com inseticidas e técnicas de controle biológico, com o plantio de variedades
resistentes e pela legislação que proíbe a entrada de material vegetal de áreas
infestadas.As doenças mais graves
são aquelas que afetam a função cambial e outros tecidos.Em clima enevoado e chuvoso, as árvores são
suscetíveis ao ataque de fungos por Monochoetia unicornis.Ele infecta hastes das plantas jovens e brotos de
árvores mais velhas e aparece como cancros e desorganização local da casca
recém-formada, os tecidos cambiais e cortical.Armillaria podridão radicular
causada por Armillaria mellea ataca as raízes e tocos de árvores e causa
apodrecimento, o que, eventualmente, mata as árvores.Patógenos que atacam árvores incluem Cercospora
seqoiae, Colletotrichum spp., Fusarium spp., Cardinale Seridium e Verticillium.
Bibliografia
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livro mão semente do Quênia.GTZ Semente Florestal Centro Muguga, Nairobi,
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Técnico N º 7.
Passadas as questões técnicas a espécie, seguem os registros da evolução do meu exemplar:
Aqui as três mudas que comprei a R$ 2,00 num dos hortos do bairro Poço Dantas em Agosto do ano passado. A sobrevivente é a primeira da esquerda.
Aqui, ela já transplantada para uma bacia branca em Abril deste ano. Ela é a primeira no alto a esquerda.
Em maio, o primeiro trabalho de aramação conforme sequência, já que ela estava se desenvolvendo bem e o tronco estava enrijecendo:
A tentativa foi um estilo sinuoso em semicascata. O vídeo abaixo dá uma noção melhor em 360º.
Após os transplantes do início da primavera, tentei dar mais uma afinada na aramação em galhos secundários, bem como limpar um pouco a folhagem por pinçagem. O Resultado está abaixo:
Acompanhado de um belíssimo sábado de sol, trago registros dos transplantes que consegui desenvolver nesta tarde, conciliando os cuidados com os dois filhos acordados e elétricos em casa.
Quando comento com os amigos da net como Juiz de Fora/MG possui o clima mais louco do mundo, e as plantas que o digam, não estou brincando. Por isso o cultivo de algumas espécies por aqui ao mesmo tempo que complica-se por extremos como este retratado abaixo (em meados de setembro), em condições mais amenas propicia até o cultivo de pinheiros... vai vendo:
Assim, hoje voltamos ao clima mais parecido do período primavera/verão e pude trabalhar mais 4 (quatro) transplantes de mudas pequenas como previsto, mas antes de apresentá-los, mostro a todos qual é o hormônio enraizador que venho utilizando (Superthrive), já que esqueci de mostrar na primeira postagem sobre transplantes:
Superthrive 15 g para 4 L d'água nas regas
Vamos aos registros do transplante da muda de Murta que ainda não foi classificada como projeto:
Não desenvolveu um sistema radicular na mamadeira
Por isso, não desfiz totalmente o torão
Dentro do escorredor até tinham boas raízes, mas não conseguiram sair para a mamadeira.
Transplante concluído no substrato composto de 50% de areia, 25% de caqueira e 25% de terra preparada.
Registros do transplante das mudas de Pau Brasil que ainda não foram classificadas como projeto:
A primeira não desenvolveu as raízes na mamadeira.
A segunda também não, justificando ainda mais a realização dos transplantes para o melhor crescimento das espécies.
Abaixo detalhes dos torrões:
Finalização dos transplantes realizado com a mesma composição do anterior, 50% de areia, 25% de caqueira e 25% de terra preparada.
Diferentemente dos anteriores, o Cipreste já possui classificação como o projeto nº 31, assim como o composto do substrato de 60% de areia, 20% de caqueira e 20% de terra preparada:
Estava numa bacia rasa e precisando de casa nova para os próximos anos.
Detalhes....
.... do bom sistema radicular desenvolvido.
Finalizado !
Os transplantes ainda não finalizaram. Tenho mais algumas que não estão em mamadeira como Shimpaku, Tuia, Ligustro e Romão para trabalhar nas próximas semanas.
Hoje segui meu calendário de
cuidados para Bonsai e promovi a segunda rodada de adubação do Outono em meu
viveiro, a primeira em algumas espécies: Cipreste, Tuia Nana, Tuia Jacaré,
Shimpaku, Romã, Ligustro, Ficus, Serissa e Cerejeira.
Minhas plantas trabalhadas hoje
Utilizei apenas Torta de Mamona,
um adubo orgânico de fácil aplicação e ideal para iniciantes.
O tema adubação é muito delicado
e por isso trago um compilado de informações que pude levantar nos últimos meses
em meus estudos.
Na natureza, as árvores são capazes
de conseguir alimento diretamente do chão, contudo, no Bonsai as plantas em uma
bandeja, a situação muda. Por estar em um recipiente pequeno, com pouca terra,
o bonsai pode rapidamente consumir todos os nutrientes presentes naquele solo,
e é por isso que adubamos, para repor esses nutrientes e continuar provendo
alimento para a árvore.
A adubação que os cultivadores
promovem trata da reposição dos nutrientes retirados do solo pelas plantas e
pelas chuvas e colaboram com a geração de energia através da Fotossíntese.
Fotossíntese é um processo
químico realizado pelas plantas, para transformar matéria mineral em matéria
orgânica, que é a base de sua alimentação. No processo da fotossíntese as
plantas transformam aqueles minerais nutrientes disponíveis no solo em um tipo
de açúcar que utilizam para se alimentar. Abordamos a fotossíntese e a
fisiologia vegetal no post ("Fisiologia Vegetal")
E quando falamos de árvores em
vasos, equilíbrio no cultivo não é fácil de conseguir. Demanda muita humildade,
observação, estudo e disciplina. Abrange
a rega adequada, quantidade ideal de exposição ao sol e nutrientes
disponibilizados. E tudo isso na mesma importância de relevância ao resultado
final.
A adubação é um dos principais
procedimentos no cultivo do bonsai. Pode ser considerada uma verdadeira
ferramenta de trabalho, pois além de garantir a saúde da árvore, nos permite
alcançar com maior eficiência nossos objetivos, desde que usada adequadamente.
As árvores têm diferentes
necessidades de nutrientes para cada estação, estágio de desenvolvimento e
espécie. Partindo desse princípio, e com o uso do bom senso, precisamos adequar
as diferentes formas de adubação (química ou orgânica) a estas diferentes
necessidades.
E como saber se preciso adubar o meu bonsai?
Se temos uma muda nova cujo
objetivo é que ela engrosse o tronco, temos que lhe proporcionar uma
adubação rica principalmente em nitrogênio e enxofre, para que se desenvolva o
mais rápido e acelerado possível. Já um bonsai formado, a adubação será com
baixos índices de nitrogênio e rico em fósforo( P ) e potássio( K ), dessa
forma ele terá um crescimento lento onde será priorizado o trabalho de
refinamento de sua estrutura e, no caso das frutíferas e floríferas, floração e
frutificação.
Outro manejo que propicia bons
resultados e que ilustra bem o uso específico pra cada estação é o uso de
adubos ricos em Fósforo ( P ) e Potássio ( K ) durante o outono e inverno,
período em que a árvore está fazendo sua reserva e com índices mais altos de
Nitrogênio ( N ) na Primavera e verão, período de maior intensidade vegetativa.
A tabela abaixo especifica a
função dos principais nutrientes.
Macronutrientes
Nitrogênio (N)
Responsável pela síntese de
proteínas é muito importante no crescimento das plantas sendo um
excelente estimulante. Ë atuante em todas fases de crescimento, desde a
brotação até a floração e frutificação. O excesso desse nutriente diminui a
resistência da planta.
Fósforo (P)
Age na floração, frutificação e
formação de sementes e raízes, é importantíssimo na produção de
energia e está presente em todas as fases de crescimento.
Potássio (K)
É indispensável à perfeita
estruturação celular das plantas. Permite aumentar sua capacidade de
resistência à falta de água e às pragas e doenças. Auxilia na formação das
raízes, amadurecimento, sabor e cor dos frutos e ainda na absorção de água e
demais nutrientes.
Cálcio (Ca)
Essencial para formação e
fortalecimento de todas as partes da planta, em especial as raízes e folhas
uma vez que sua falta compromete a absorção de nitratos. É um importante
aliado na prevenção de doenças.
Magnésio (Mg)
Está diretamente ligado ao
metabolismo energético das plantas sendo parte integrante da molécula da
clorofila. É responsável pela formação dos diversos pigmentos das flores e
frutos.
Enxofre (S)
É importantíssimo na absorção
do nitrogênio e ativador de diversas enzimas relacionadas com o metabolismo
energético
Cloro (Cl)
Fundamental na fotossíntese
está diretamente relacionado ao metabolismo da água e a transpiração das
plantas.
Micronutrientes
Ferro (Fe)
Importante elemento no
metabolismo energético. Atua na fixação do nitrogênio e desenvolvimento do
tronco e raízes.
Boro (B)
Contribui para a maior força e
resistência dos tecidos vegetais sendo atuante no desenvolvimento
e brotação de gemas e folhas.
Zinco (Zn)
Ativa diversas enzimas
relacionadas aos mecanismos de defesa vegetal sendo essencial para a
biossíntese dos hormônios necessários ao desenvolvimento, floração e
frutificação.
Manganês (Mn)
Participa do metabolismo
energético respiratório e é muito importante para a formação da clorofila,
Cobre (Cu)
Atua na diretamente na
prevenção de doenças, pois contribui para a formação de pigmentos e
substâncias que defendem as plantas contra a ação de fungos e outros
parasitas
Molibidênio (Mo)
Está diretamente ligado ao
metabolismo do nitrogênio, e ao desenvolvimento global do vegetal,
principalmente a floração e a frutificação. É o micronutriente menos
abundante nos solos.
Cobalto (Co)
Importante ativador de enzimas
ligadas a biossíntese dos lipídios (gorduras) está diretamente relacionado
com o metabolismo energético e de defesa das plantas
TIPOS DE ADUBO
Existem basicamente dois: químico
e orgânico.
O adubo químico é obtido da extração mineral ou derivado de petróleo.
Devido a alta concentração é aproveitado pelas plantas de forma mais rápida,
razão pela qual devemos aplicá-los com conhecimento para não causarmos danos às
plantas.
Tem a grande vantagem de não
produzir qualquer tipo de odor, ou seja, ideal para quem cultiva bonsai dentro
de casa, mas possui uma grande desvantagem também, caso você erre na dose do
adubo, colocando mais do que o necessário, você pode matar seu bonsai, por isso
use sempre metade de quantidade indicada pelo fabricante, lembre-se que esses
adubos químicos não são feitos especificamente para bonsai, então eles não
levam em consideração o tamanho reduzido do vaso, a quantidade menor de
substrato e nem a rápida absorção pelas raízes.
É uma adubação mais rápida e
eficiente, principalmente os adubos foliares, pois são misturas de sais
solúveis em água que uma vez aplicados são rapidamente assimilados pelas
plantas.
Neste tipo de adubação, é
importante observar primeiramente, a composição do adubo que desejamos
utilizar, ou seja, a proporção dos nutrientes principais (N, P e K) de acordo
com o objetivo de quem cultiva e/ou as necessidades da espécie cultivada.
No mercado é comum encontrarmos adubos com suas formulações em evidência,
como por exemplo: 04 14 08 que corresponde a 04% de nitrogênio(N), 14% de
fósforo(P), 08% de potássio(K). Essa formulação, conforme podemos constatar na
tabela acima é ideal para induzir a floração e frutificação. Já um adubo com a
formulação 10 10 10 é utilizado em plantas ornamentais ou em casos em que
se deseja um crescimento equilibrado e não tanto floração ou frutificação. E
ainda, um adubo 15 00 00 já é o extremo do primeiro exemplo e
seu uso é indicado quando se deseja um crescimento intenso e acelerado.
Outro aspecto muito importante
nessa adubação é a estrutura física do adubo, se é líquido, sólido, granulado,
se é aplicado diretamente na planta ou diluído em água, se é foliar (pode ser
aplicado por pulverização diretamente nas folhas, procedimento que se for
utilizado deverá ser feito preferencialmente ao anoitecer ou bem cedo pela
manhã) , etc. Nesses casos é fundamental ficar atento aos rótulo do fabricante,
e utilizar o produto de acordo com as especificações nele contidas e tomar
muito cuidado com os excessos, principalmente no caso do Nitrogênio (N), que
pode até causar a morte da planta.
O segredo está na regularidade,
equilíbrio e variedade, quanto mais regular e variada a adubação melhor, pois
um adubo supre as deficiências do outro.
EXEMPLOS DE ADUBOS INORGÂNICOS
N - P - K (Nitrogênio - Fósforo e
Potássio)
Salitre do Chile - ( Rico em
Nitrogênio, aproximadamente 16%)
Sulfato de amônia -( Rico em
Nitrogênio)
Nitrocálcio - ( Rico em
Nitrogênio)
Uréia -( Rico em Nitrogênio)
Superfosfatos - ( Rico em
Fósforo)
Cloreto de potássio - (Rico em
Potássio)
Sulfato de potássio - (Rico em
Potássio)
Já o adubo orgânico, é oriundo de matéria vegetal ou animal e diferencia-se
da química por ser de liberação mais lenta, tendo em contrapartida uma ação
mais prolongada, além de favorecer a formação e estruturação da micro fauna
(fungos e bactérias) normal do solo. Estes adubos são produzidos a partir de
elementos naturais (mais exatamente, por meio da decomposição de matéria de
origem animal, vegetal ou mineral). Torta de mamona, torta de algodão, farinha
de osso, farinha de peixe, farinha de sangue, calcário, cinza de madeira são
alguns exemplos.
Pode ser realizada no momento do
preparo do substrato para o plantio, através da incorporação de matéria
orgânica. Outra, denominada adubação de cobertura, é realizada através da
aplicação do adubo orgânico na superfície do solo no vaso ( é mais utilizada no
cultivo do bonsai). Existem algumas formulações comerciais específicas para
bonsai disponíveis no mercado, porém a maioria dos produtos é importada, como o Biogold e
o Rapeseed, ambos fornecidos na forma de pellets.
Tem maior permanência no solo
embora sejam absorvidos de forma mais lenta, isto porque ele demanda algum
tempo para se tornarem absorvíveis, ou seja, tem que acontecer toda uma
transformação para que o adubo orgânico se transforme nos elementos químicos
que serão utilizados pelas plantas. Use preferentemente os orgânicos, deixando
os inorgânicos para solos testados como muito fracos.
Tal tipo permite que você erre um
pouco na dosagem, mas possui um cheiro bem forte, na maioria dos casos, este
cheiro é produzido durante a fase de fermentação da mistura, depois de alguns
dias o odor some quase que por completo. Esse tipo de adubo é mais indicado
para quem cultivar bonsai em locais abertos, já que o cheiro pode atrair moscas
e incomodar as pessoas.
Já li algumas opiniões validando,
para quem está começando, o adubo químico como melhor, seja ele líquido ou
sólido, e apesar de já ter utilizado nos meus primeiros dois exemplares o
Osmocote, não me sinto seguro de incentivar os químicos e atualmente trabalho
apenas com orgânicos.
Para a adubação orgânica de
cobertura, o intervalo ideal entre aplicações é de 30 dias. Para plantas em
formação é utilizado uma maior quantidade de adubo, com o objetivo de promover
um desenvolvimento mais acelerado, ao passo que para árvores formadas utilizaremos
apenas o necessário para suprir suas necessidades de manutenção.
EXEMPLOS DE ADUBOS ORGÂNICOS
Torta de Mamona - (Cerca de 5% de
Nitrogênio)
Humus - É resultado da
decomposição de restos vegetais e pequena parcela de restos animais.
Humos de Minhoca - Além de um
excelente adubo é também um recondicionante das condições físicas e biológicas
do solo.
Farinha de Sangue - Rica em
Nitrogênio aproximadamente 10%.
Farinha de Osso - Rica em
Fósforo. É indicado para plantas floríferas visto que o Fósforo é um
estimulante para a floração e frutificação. Para calcular comece pensando que
por m2 (metro quadrado) podemos usar de 100
a 300grs.
Farinha de Peixe - Rica em
Fósforo 9% e, em Nitrogênio 5%. Valores aproximados.
Cinza de Madeira - É rica em
Potássio - Cálcio e Magnésio. É quase imperceptível a presença de Nitrogênio e
Fósforo
Estercos - São ricos em
macronutrientes (NPK) além de incorporarem matéria orgânica. Nunca devem ser
usados ainda frescos, é necessário curtir o esterco deixando secar ao sol por
mais ou menos 30 dias. Molhe algumas vezes até que esteja totalmente
fermentado.
COMO USAR O ADUBO?
Primeiro devemos molhar as
plantas depois adubamos. Principalmente nos fertilizantes químicos pois os
mesmos poderiam queimar as plantas.
Uma regra que funciona, com
certeza, é a de se usar uma adubação a mais variada possível, intercalando
adubos orgânicos e químicos. Como na nossa alimentação, quanto mais diversificada
a adubação melhor. Existem muitos adubos à nossa volta que simplesmente nem os
notamos. É o caso da borra de café, por exemplo, que trata-se de um excelente
estimulante vegetal e a jogamos no lixo. Basta usarmos a criatividade e
observação que com certeza temos inúmeras opções de adubação bem regionais,
baratas e fáceis à nossa volta.
Além disso, respostas à adubação
podem influenciar aspectos diretamente ligados à aplicação de técnicas. Se for
usado adubo demais, provoca-se um desenvolvimento acelerado, o que, no caso do
bonsai, pode levá-lo a perder sua forma planejada.
Em geral, plantas com forma bem
definida e em estágio avançado de desenvolvimento precisam de menos adubo e/ou
um adubo com menor percentual de nitrogênio e com maiores percentuais de
fósforo e potássio . Já uma planta jovem, ainda em formação, precisará de mais
adubação e/ou uma formulação de adubo com maior percentual de nitrogênio.
COMO ESCOLHO UMA FORMULAÇÃO DE ADUBO PARA AS PLANTAS?
Os adubos são compostos de diversos
minerais e no seu rotulo vem especificado as quantidades ou porcentagens
destes. Existem formulas tradicionais de adubos como por exemplo: N.P.K.
4.14.8. significa que este adubo contém 4% de (N) Nitrogênio, 14% de (P)
Fósforo e 8% de (K) Potássio.
Na fórmula acima podemos observar
que as quantidades de Fósforo (P) são maiores e isto significa que este adubo
pode atuar nas deficiências de floração e frutificação. Então se você está
tendo algum problema de floração ou frutificação, você deve usar uma formulação
de adubo que seja “carregado” de Fósforo.
Ao passo que se você precisar de
atuar no verde da planta, nas suas folhas, você deve usar uma formulação
“carregada” de Nitrogênio (N) como por exemplo: N.P.K. 15.8.8. – Ou usar o
salitre do Chile que contém apenas Nitrogênio, na faixa de 15%.
Com estas orientações, você não
precisa mais cair nas armadilhas de vendedores, ou de rótulos que contém
informações indevidas ou enganosas. Não é nenhuma surpresa encontrarmos adubos
que prometem mais flores para sua planta e o mesmo vir “carregado” de
Nitrogênio (N) em sua fórmula.
Neste caso, um adubo “carregado”
de Nitrogênio (N) vai favorecer ou estimular a parte verde da planta, e muitas
vezes prejudicando a floração ou frutificação. Se você está tendo problemas de
floração ou frutificação, você deve usar um adubo que seja “carregado” em
Fósforo (P).
Adubos “carregados” em Nitrogênio
(N) ou seja, o percentual do mesmo é maior do que os outros nutrientes, atuam
na parte verde da planta e os adubos “carregados” em Fósforo (P) atuam na
floração e frutificação.
Saiba também que quando você usa
um adubo “carregado” de Nitrogênio, você desfavorece a floração e a
frutificação. Você deve usar as fórmulas de acordo com as suas necessidades.
Se sua planta está “funcionando”
normalmente, você deve usar uma formula de adubo básica, equilibrada em todos
seus componentes ou nutrientes, exemplo: N.P.K. 10.10.10. ou N.P.K. 20.20.20.
ou N.P.K. 09.08.08 ou 06.08.06 etc. Note que os percentuais de nutrientes são
semelhantes em suas quantidades.
E quando eu NÃO devo adubar o meu bonsai?
A – No período que compreende os
mês de maio à 15 de julho. Neste caso o período de descanso das plantas está
sendo respeitado.
B – Pouco antes e depois da
floração. Se incrementar o crescimento vegetativo a partir de adubações, a
planta perderá os botões florais. Uma vez que se tenha aparecido os frutos,
pode começar de novo com o processo de adubação
C – Logo após transplantar e
cortar raízes, é necessário que o sistema radicular se regenere. Espere para
adubar após 4 semanas.
Nunca adube uma planta
recentemente transplantada! Quando realizar o transplante, faça aplicação
apenas de um hormônio enraizador (ou vitamina B1), a planta precisa se adaptar
ao seu novo local antes de começar a receber adubo.
Nunca adube uma planta doente.
Adubo é alimento, não é remédio. Para “curar” sua planta, você primeiro precisa
identificar o problema, saber se é excesso ou falta de água, de sol etc. Só
volte a adubar quando ela já estiver estabilizada. Como você vai saber se ela
está estabilizada? Simples, quando ela estiver brotando bastante.
Bom, acho que consegui explicar
um pouco mais sobre esse tema que é muito discutido nos fóruns entre bonsaístas
experientes. Espero que tenha conseguido esclarecer algumas dúvidas, caso
tenham alguma pergunta, a caixa de comentários está sempre aberta.