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sábado, 13 de janeiro de 2018

Estou de volta! Para o meu equilíbrio!

Boa tarde amigos e curiosos !

Após mais de 3 anos estou de volta para trazer notícias da minha jornada no mundo da arte Bonsai e também comunicar que retomei minha atenção para as queridas plantas que neste período estiveram órfãos .

Muita coisa aconteceu nesse período desde o fim e a volta do meu casamento, mudança de residência, de foco no trabalho, e claro, como um bom ser humano descuidado, não consegui equilibrar todos os meus papeis de vida, ficando o prazer de exercer a arte Bonsai, representado pelo papel "coisas que o Bruno gosta" totalmente relegado ao ostracismo.

Neste período, perdi plantas na mudança, outras morreram por não se adaptarem ao novo tempo de exposição de sol e o ph da água do novo local de residência, algumas foram roubadas (é isso mesmo! surrupiadas pela grade do jardim) e a maioria perdi por falta de cuidados básicos.

Dos 40 projetos que possuía, sem contar pequenas mudas e sementes em desenvolvimento, sobraram cerca de 12 exemplares, daqueles mais resistentes, que aos poucos trarei para acompanharem o desenvolvimento.

Vocês devem estar se perguntando: Tá, mas se você largou essas plantas pra sobreviverem por si só, porque estará retornando ao cultivo? A resposta é muito simples. Porque eu amo praticar e acompanhar seu lento desenvolvimento, e ao final de cada período, ver os frutos, as folhas e as estruturas saudáveis e ter a certeza de que fiz um bom trabalho. Alimentar minha família e decorar nossas casas com exemplares criados por mim também é um motivo legal.

Ocorre que essa vontade do cuidado nunca morreu em mim, mas quando desequilibrei meus papeis focando apenas no trabalho, muitos gostos e satisfações foram subjugadas, como se não tivessem importância na minha vida e perdi coisas boas durante o caminho.

Mas 2017 foi um ano diferente e a virada para 2018 manteve um desejo forte de ser pleno, em todos os papeis, familia, trabalho, voluntário e por aí vai. E algumas leituras e reflexões, despertaram em mim essa necessidade, de atender a todos os papeis, pois do contrário não haveria plenitude em meu desenvolvimento pessoal e muito menos de realizações.

E aqui estamos, retomando um dos maiores prazeres que encontrei na vida, e desenvolvi inicialmente sozinho para depois com o apoio de amigos inesperados na cidade e outros tantos pela internet, praticar novas técnicas após estudos interessantes.

Se você está chegando pela primeira vez, pode não entender muito bem esse contexto e achar que o post não tem a ver com bonsai, mas tem ok? Para que aquelas belíssimas plantas sejam apresentadas com glamour, cores fantásticas e formas artísticas como se vê na tv ou cinema, antes, muito trabalho de base tem de ser feito, como o que estou mostrando hoje por exemplo, por isso, convido a percorrer outros posts aqui do blog que você vai entender.

Sem mais delongas, apresento abaixo as atividades desenvolvidas nessa semana na tentativa de salvar aquelas que lealmente se mantiveram de pé enquanto me distanciei.

Todas as plantas que mostrarei abaixo estavam extremamente carentes de cuidados, tanto de tratamento e troca de substrato, como adubação, poda, proteção e tudo mais. Assim, ainda que para algumas especies, a troca de substrato está fora do período atual, realizei algumas trocas e nada mais. Vou deixá-las se recuperarem para nas próximas janelas de cuidado realizar intervenções para seus crescimentos saudáveis.


Esse é um piteco criado desde a semente assim que retirei do vaso. A espécie possui uma estrutura muito boa para o bonsai pois possui características de envelhecimento de tronco, folhas pequenas e crescimento bem espaçado na copa.

Como pode ser visto, não havia mais espaço para crescimento e alimentação. O substrato de terra, areia e cacos de telha foi totalmente consumido pelas raízes, apresentando-se super seco. Confira a história dessa planta clicando aqui

Essa é uma laranjeira kinkan, segundo minhas fontes. Assim como piteco e todas as demais plantas, o substrato estava extremamente pobre, apesar do excelente sistema radicular secundário, com inúmeras raízes finas para alimentação. Clique aqui e conheça mais sobre a minha laranjeira.

Essa conheço como Ficus Green Island, uma planta de interior leitoso muito bacana, flexivel e resistente. Apesar de mais de 3 anos sem cuidados, resistiu bem e as raízes estavam saudáveis. Deposito muita expectativa nela pois possui um movimento estilo cascata natural que gosto muito. Conheça esse mimo clicando aqui


Mais um exemplar com o comprometimento do substrato para seu desenvolvimento. A foto retrata bem como as raízes começaram a circular o vaso em busca de alimento. Conheça uma das fases dessa bougainville (também conhecida como primavera)  clicando aqui
Aqui a mesma primavera anterior, também apelidada carinhosamente de bouga salmão, devido às cores de suas folhas em época de floração.

Essa romanzeira é muito querida e uma das plantas mais difíceis que encontrei pelo caminho. Até hoje apanho para compreender  seu desenvolvimento e fornecer  as condições e alimentos mais favoráveis. Veja aqui como ela chegou a crescer, inclusive dando um fruto.



Essas duas primaveras são bem jovens e possuem pouquissimas raízes, muitas se perderam por terem apodrecido com muita umidade nos vasos sem os substratos adequados. 

Também um planta complicada de arriscar no bonsai, especialmente porque as coníferas de uma forma geral crescem sempre pra cima e não aceitam muito bem as podas. Também maltratada pelo tempo esse Cipreste querido está indo para uma casa nova. 


Assim foi o meu retorno, com tentativas de salvamento antes de apresentar beleza e exuberância. Continue acompanhando e venha comigo nessa jornada de conhecimento da arte bonsai. Acompanhe também o Bonsai Clube Juiz de Fora e conheça outros corajosos e curiosos nessa aventura do bonsai.

Um forte abraço e até a próxima!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Apresentando Projeto 31 - Cipreste

Prezados amigos,

Hoje vou oficializar um projeto que já apareceu timidamente em postagens sobre adubação e mudas jovens, já que a planta vem sobrevivendo e custei para encontrar informações técnicas e dicas sobre o cultivo, trata-se de uma conífera que comprei sob o nome de Cipreste.

Abaixo algumas informações técnicas da espécie:



Identidade da espécie

Taxonomia
Nome atual: Cupressus lusitanica
Autoridade: Mill.
Família: Cupressaceae

Sinónimo (s)

Cupressus benthami Endl.
Cupressus glauca Lam..
Cupressus lindleyi Lindl. ex Parl.
Cupressus lusitanica var. hondurensis J. Silba.

Nomes comuns 
(Amharic): yeferenji-tid 
(Inglês): cedro de Goa, cipreste, Quênia cipreste, cipreste mexicano 
(Francês): Cypres, cyprčs de Goa, Cypres de Mexico 
(Alemão): Mexikanische Zypresse 
(Espanhol): Cipres, Ciprés Mexicano 
(Swahili): msanduku 
(Tigrigna): tsehdiferenji 
(Nome da empresa): cipreste 

Descrição Botânica
Cupressus lusitanica é uma árvore perene, de 35 m de altura, com uma coroa densa, cônica. Seus ramos se espalham muito, mas terminam em pontas pendentes. A casca do tronco é marrom-avermelhada, esfoliante em tiras longas e estreitas, tornando-se áspera pelo desenvolvimento de muitas fendas curtas. A folhagem nitidamente verde-azulado é oval, pressionado de perto, geralmente com tempo, apontou ápice. 




História da cultura 
C. lusitanica foi introduzido no Quênia em 1910 e desde então se tornou uma importante cultura industrial e plantação. A espécie foi introduzida para a Etiópia em 1950 em plantações pequenas e dispersas como um ornamental urbana, em 1968, a primeira plantação florestal foi criado lá. 


Habitat Natural 
C. lusitanica é encontrado em sazonalmente úmidos para climas permanentemente úmido, com precipitação anual normalmente entre 1000 e 1500 mm e uma estação seca com duração de não mais de 2-3 meses.Também ocorre em climas muito úmidos com precipitação anual de até 4000 mm. Geralmente não é danificado pela neve ocasional ou breves períodos de geada, mas há diferenças significativas entre procedências. Ele não pode suportar o alagamento. Espécies associadas no seu habitat natural incluem guatemalensis Abies, Litsea glaucescens, Pinus montezumae e Prunus brachybotrya. 


Distribuição geográfica 
Nativo: Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Estados Unidos da América 
Exótico: Eritreia, Etiópia, Quénia, Portugal, África do Sul, Espanha, Tanzânia, Uganda 

Limites biofísicos 
Altitude: 1 000-4 000 m, temperatura média anual: 12-30 graus. C, precipitação média anual: 800-1 500 milímetros Tipo de solo: C. lusitanica floresce em profundo, úmido, bem drenados, férteis de neutro para reação ligeiramente ácido. 

Biologia Reprodutiva 
Árvores primeiro fruto em 6-9 anos, ou mais tarde em locais desfavoráveis.Floração ocorre na época mais seca do ano, com flores masculinas e femininas que surge em diferentes pontos da coroa (monossexual). Cones desenvolvem dentro de 6 meses após a polinização pelo vento e levar dois anos para amadurecer. 




Métodos de propagação 
Convencionalmente, C. lusitanica é gerado a partir de sementes, embora seja possível induzir estacas de raiz. Pré-semeadura tratamento não é necessário.Semeadura direta, colocando as sementes em mangas de bambu tem sido usado com algum sucesso, mas o uso de ações que é a raíz nua ou em recipientes é mais comum. Para rápida e uniforme germinação epígea, estratificação em areia úmida por 30 dias é recomendado; germinação ocorre em 20-30 dias; taxa de germinação esperada é de 30-45% de maduros, os lotes de sementes sadias. Mudas desenvolvidas em canteiros são 5-7 cm de altura em cerca de uma semana, quando devem ser transferidos para recipientes que tenham sido preparados de 3-4 semanas de antemão por peneiração do solo para remover partículas grandes e, em seguida, permitindo que o solo de modo a formar uma estrutura de miolo , o que promove uma boa drenagem. Plantas de 20-30 cm de altura são transferidas para um viveiro antes de serem plantadas. A regeneração natural é bom em áreas queimadas e clareiras naturais, se a concorrência da flora do solo não se torna intenso. 

Gestão de árvore 
As coníferas de crescimento rápido são plantadas em terras que foi liberado pela queima, para melhorar as condições de enraizamento e eliminar potenciais concorrentes. Em geral, as mudas devem ser plantadas em 2 x 2 ou 3 x 3 m; espaçamento próximo é preferível evitar fortes ramificações de desenvolvimento. Como C. lusitanica dá apenas proteção limitada contra a erosão do solo, povoamentos puros em encostas ou erosão propensas locais devem ser underplanted com outras espécies adequadas. Capina é uma necessidade absoluta durante os primeiro anos. A poda é praticada de forma que árvores render de alta qualidade, sem nós madeira serrada. A poda deve ser feita quando as árvores são de 3 anos, com três podas mais de 6, 9 e 13 anos de idade em uma rotação de 25-30 anos. Árvores cultivadas de alta qualidade da madeira devem ser podadas a 30% de suas alturas a cada 3 anos, sem diminuir o crescimento do volume. Emagrecimento é prescrito antes de cada poda. Nos primeiros anos, as árvores individuais deve mostrar um incremento anual de altura 1,2-1,5 m (2 m em casos excepcionais). As árvores produzem pólos depois de 10 anos e de propósito geral de madeira após 20 anos. Eles precisam ser protegidos do fogo e ataque de roedores. 



Utilizações funcionais

Produtos 
Combustível: C. lusitanica é uma boa fonte de lenha. Madeira: As serras de madeira branca limpa e tem grão reta fina, é uma fonte de madeira de construção e de celulose e é usado para móveis, pólos e postos. 

Serviços 
Sombra ou abrigo: árvores são adequados como quebra-ventos. Ornamental: A bela árvore pode ser plantada em zonas de recreio. Limite ou barreira ou de apoio: É cultivada como cerca viva. 

Pragas e doenças 
As árvores são suscetíveis a pragas de insetos Acheta assimilis, Agrotis spp., Atta spp., Captotermes Crasso, exoftalmia spp., Phytophaga spp., Platypus spp. e Aratus Pypselonotus. A praga mais conhecida é a broca Oemida gahani, que ganha a entrada através de feridas superficiais, tais como aqueles criados pela poda e degrada a madeira; poda antes árvores são 7 anos de idade poderia conter o problema. O pulgão cipreste Cinara cupressi ataca árvores da família Cupressaceae no sul e centro da África e está rapidamente avançando para a Tanzânia eo Uganda. Pragas são controladas com inseticidas e técnicas de controle biológico, com o plantio de variedades resistentes e pela legislação que proíbe a entrada de material vegetal de áreas infestadas. As doenças mais graves são aquelas que afetam a função cambial e outros tecidos. Em clima enevoado e chuvoso, as árvores são suscetíveis ao ataque de fungos por Monochoetia unicornis. Ele infecta hastes das plantas jovens e brotos de árvores mais velhas e aparece como cancros e desorganização local da casca recém-formada, os tecidos cambiais e cortical.Armillaria podridão radicular causada por Armillaria mellea ataca as raízes e tocos de árvores e causa apodrecimento, o que, eventualmente, mata as árvores. Patógenos que atacam árvores incluem Cercospora seqoiae, Colletotrichum spp., Fusarium spp., Cardinale Seridium e Verticillium. 


Bibliografia
Albrecht J. ed. 1993. Árvore livro mão semente do Quênia. GTZ Semente Florestal Centro Muguga, Nairobi, Quênia. 
Asfaw Z. 1969. Manejo silvicultural de Cupressus lusitanica e robusta Grevillea no sul da Etiópia. M. Phil. Esboço de Pesquisa e Relatório de Progresso. Escola de Ciências Agrárias e Florestal UCNW, Bangor. 
Bein E. 1996. Árvores e arbustos úteis na Eritréia. Unidade de Conservação Regional do solo (RSCU), Nairobi, Quênia. 
Bekele Tesemma-A, Birnie A, Tengnas B. 1993. Árvores e arbustos úteis para a Etiópia. Unidade de Conservação Regional do solo (RSCU), Autoridade Sueca de Desenvolvimento Internacional (ASDI). 
Birnie A. 1997. Que árvore é essa? Um guia para iniciantes de 40 árvores no Quênia. Jacaranda projetos Ltd. 
Hong TD, Linington S, Ellis RH. 1996. Comportamento de sementes de armazenamento: um compêndio. Manuais para bancos de germoplasma: Não. 4. IPGRI. 
ICRAF. 1992. Uma seleção de árvores e arbustos úteis para o Quênia: Notas sobre a sua identificação, propagação e de gestão para uso por agricultura e das comunidades pastorais. ICRAF. 
Katende AB et al. 1995. Árvores e arbustos úteis para Uganda. Propagação de Identificação e Gestão de comunidades agrícolas e pastoris. Unidade de Conservação Regional do solo (RSCU), Autoridade Sueca de Desenvolvimento Internacional (ASDI). 
Mbuya LP et al. 1994. Árvores e arbustos úteis para a Tanzânia: identificação, propagação e Gestão para comunidades agrícolas e pastoris.Unidade de Conservação Regional do solo (RSCU), Autoridade Sueca de Desenvolvimento Internacional (ASDI). 
Noad T, Birnie A. 1989. Árvores do Quênia. Impressoras Gerais, Nairobi. 
Odera J. 1990. Conhecer e evitar a entrada do pulgão cipreste, Cinara cupressi no Quênia. KEFRI Técnico N º 7. 



Passadas as questões técnicas a espécie, seguem os registros da evolução do meu exemplar:


Aqui as três mudas que comprei a R$ 2,00 num dos hortos do bairro Poço Dantas em Agosto do ano passado. A sobrevivente é a primeira da esquerda.

Aqui, ela já transplantada para uma bacia branca em Abril deste ano. Ela é a primeira no alto a esquerda.

Em maio, o primeiro trabalho de aramação conforme sequência, já que ela estava se desenvolvendo bem e o tronco estava enrijecendo:






A tentativa foi um estilo sinuoso em semicascata. O vídeo abaixo dá uma noção melhor em 360º.


Após os transplantes do início da primavera, tentei dar mais uma afinada na aramação em galhos secundários, bem como limpar um pouco a folhagem por pinçagem. O Resultado está abaixo:





sábado, 29 de setembro de 2012

Transplantes da primavera - Parte III

Amigos e curiosos,

Acompanhado de um belíssimo sábado de sol, trago registros dos transplantes que consegui desenvolver nesta tarde, conciliando os cuidados com os dois filhos acordados e elétricos em casa.

Quando comento com os amigos da net como Juiz de Fora/MG possui o clima mais louco do mundo, e as plantas que o digam, não estou brincando. Por isso o cultivo de algumas espécies por aqui ao mesmo tempo que complica-se por extremos como este retratado abaixo (em meados de setembro), em condições mais amenas propicia até o cultivo de pinheiros... vai vendo:


Assim, hoje voltamos ao clima mais parecido do período primavera/verão e pude trabalhar mais 4 (quatro) transplantes de mudas pequenas como previsto, mas antes de apresentá-los, mostro a todos qual é o hormônio enraizador que venho utilizando (Superthrive), já que esqueci de mostrar na primeira postagem sobre transplantes:


Superthrive 15 g para 4 L d'água nas regas

Vamos aos registros do transplante da muda de Murta que ainda não foi classificada como projeto:




Não desenvolveu um sistema radicular na mamadeira

Por isso, não desfiz totalmente o torão

Dentro do escorredor até tinham boas raízes, mas não conseguiram sair para a mamadeira.

Transplante concluído no substrato composto de 50% de areia, 25% de caqueira e 25% de terra preparada.

Registros do transplante das mudas de Pau Brasil que ainda não foram classificadas como projeto:





A primeira não desenvolveu as raízes na mamadeira.

A segunda também não, justificando ainda mais a realização dos transplantes para o melhor crescimento das espécies.

Abaixo detalhes dos torrões:


Finalização dos transplantes realizado com a mesma composição do anterior, 50% de areia, 25% de caqueira e 25% de terra preparada.





Diferentemente dos anteriores, o Cipreste já possui classificação como o projeto nº 31, assim como o composto do substrato de 60% de areia, 20% de caqueira e 20% de terra preparada:


Estava numa bacia rasa e precisando de casa nova para os próximos anos.

Detalhes....

.... do bom sistema radicular desenvolvido.

Finalizado !

Os transplantes ainda não finalizaram. Tenho mais algumas que não estão em mamadeira como Shimpaku, Tuia, Ligustro e Romão para trabalhar nas próximas semanas. 

Até a próxima !

domingo, 29 de abril de 2012

ADUBAÇÃO


Prezados,

Hoje segui meu calendário de cuidados para Bonsai e promovi a segunda rodada de adubação do Outono em meu viveiro, a primeira em algumas espécies: Cipreste, Tuia Nana, Tuia Jacaré, Shimpaku, Romã, Ligustro, Ficus, Serissa e Cerejeira.

Minhas plantas trabalhadas hoje


Utilizei apenas Torta de Mamona, um adubo orgânico de fácil aplicação e ideal para iniciantes.

O tema adubação é muito delicado e por isso trago um compilado de informações que pude levantar nos últimos meses em meus estudos.

Na natureza, as árvores são capazes de conseguir alimento diretamente do chão, contudo, no Bonsai as plantas em uma bandeja, a situação muda. Por estar em um recipiente pequeno, com pouca terra, o bonsai pode rapidamente consumir todos os nutrientes presentes naquele solo, e é por isso que adubamos, para repor esses nutrientes e continuar provendo alimento para a árvore.

A adubação que os cultivadores promovem trata da reposição dos nutrientes retirados do solo pelas plantas e pelas chuvas e colaboram com a geração de energia através da Fotossíntese.

Fotossíntese é um processo químico realizado pelas plantas, para transformar matéria mineral em matéria orgânica, que é a base de sua alimentação. No processo da fotossíntese as plantas transformam aqueles minerais nutrientes disponíveis no solo em um tipo de açúcar que utilizam para se alimentar. Abordamos a fotossíntese e a fisiologia vegetal no post ("Fisiologia Vegetal")

E quando falamos de árvores em vasos, equilíbrio no cultivo não é fácil de conseguir. Demanda muita humildade, observação, estudo e disciplina.  Abrange a rega adequada, quantidade ideal de exposição ao sol e nutrientes disponibilizados. E tudo isso na mesma importância de relevância ao resultado final.

A adubação é um dos principais procedimentos no cultivo do bonsai. Pode ser considerada uma verdadeira ferramenta de trabalho, pois além de garantir a saúde da árvore, nos permite alcançar com maior eficiência nossos objetivos, desde que usada adequadamente.

As árvores têm diferentes necessidades de nutrientes para cada estação, estágio de desenvolvimento e espécie. Partindo desse princípio, e com o uso do bom senso, precisamos adequar as diferentes formas de adubação (química ou orgânica) a estas diferentes necessidades.

E como saber se preciso adubar o meu bonsai?

Se temos uma muda nova cujo objetivo é que ela engrosse o tronco, temos que  lhe proporcionar uma adubação rica principalmente em nitrogênio e enxofre, para que se desenvolva o mais rápido e acelerado possível. Já um bonsai formado, a adubação será com baixos índices de nitrogênio e rico em fósforo( P ) e potássio( K ), dessa forma ele terá um crescimento lento onde será priorizado o trabalho de refinamento de sua estrutura e, no caso das frutíferas e floríferas, floração e frutificação.

Outro manejo que propicia bons resultados e que ilustra bem o uso específico pra cada estação é o uso de adubos ricos em Fósforo ( P ) e Potássio ( K ) durante o outono e inverno, período em que a árvore está fazendo sua reserva e com índices mais altos de Nitrogênio ( N ) na Primavera e verão, período de maior intensidade vegetativa.

A tabela abaixo especifica a função dos principais nutrientes.

Macronutrientes
Nitrogênio (N)
Responsável pela síntese de proteínas é muito importante  no crescimento das plantas sendo um excelente estimulante. Ë atuante em todas fases de crescimento, desde a brotação até a floração e frutificação. O excesso desse nutriente diminui a resistência da planta.
Fósforo (P)
Age na floração, frutificação e formação de sementes e raízes,  é importantíssimo na produção de energia  e está presente em todas as fases de crescimento.
Potássio (K)
É indispensável à perfeita estruturação celular das plantas. Permite aumentar sua capacidade de resistência à falta de água e às pragas e doenças. Auxilia na formação das raízes, amadurecimento, sabor e cor dos frutos e ainda na absorção de água e demais nutrientes.
Cálcio (Ca)
Essencial para formação  e fortalecimento de todas as partes da planta, em especial as raízes e folhas uma vez que sua falta compromete a absorção de nitratos. É um importante aliado na prevenção de doenças.
Magnésio (Mg)
Está diretamente ligado ao metabolismo energético das plantas sendo parte integrante da molécula da clorofila. É responsável pela formação dos diversos pigmentos das flores e frutos.
Enxofre (S)
É importantíssimo na absorção do nitrogênio e ativador de diversas enzimas relacionadas com o metabolismo energético
Cloro (Cl)
Fundamental na fotossíntese está diretamente relacionado ao metabolismo da água e a transpiração das plantas.
Micronutrientes
Ferro (Fe)
Importante elemento no metabolismo energético. Atua na fixação do nitrogênio e desenvolvimento do tronco e raízes.
Boro (B)
Contribui para a maior força e resistência dos tecidos vegetais sendo  atuante  no desenvolvimento e brotação de gemas e folhas.
Zinco (Zn)
Ativa diversas enzimas relacionadas aos mecanismos de defesa vegetal sendo essencial para a biossíntese dos hormônios necessários ao desenvolvimento, floração e frutificação.
Manganês (Mn)
Participa do metabolismo energético respiratório e é muito importante para a formação da clorofila,
Cobre (Cu)
Atua na diretamente na prevenção de doenças, pois contribui para a formação de pigmentos e substâncias que defendem as plantas contra a ação de fungos e outros parasitas
Molibidênio (Mo)
Está diretamente ligado ao metabolismo do nitrogênio, e ao desenvolvimento global do vegetal, principalmente a floração e a frutificação. É o micronutriente menos abundante nos solos.
Cobalto (Co)
Importante ativador de enzimas ligadas a biossíntese dos lipídios (gorduras) está diretamente relacionado com o metabolismo energético e de defesa das plantas

TIPOS DE ADUBO



Existem basicamente dois: químico e orgânico.

O adubo químico é obtido da extração mineral ou derivado de petróleo. Devido a alta concentração é aproveitado pelas plantas de forma mais rápida, razão pela qual devemos aplicá-los com conhecimento para não causarmos danos às plantas.

Tem a grande vantagem de não produzir qualquer tipo de odor, ou seja, ideal para quem cultiva bonsai dentro de casa, mas possui uma grande desvantagem também, caso você erre na dose do adubo, colocando mais do que o necessário, você pode matar seu bonsai, por isso use sempre metade de quantidade indicada pelo fabricante, lembre-se que esses adubos químicos não são feitos especificamente para bonsai, então eles não levam em consideração o tamanho reduzido do vaso, a quantidade menor de substrato e nem a rápida absorção pelas raízes.

É uma adubação mais rápida e eficiente, principalmente os adubos foliares, pois são misturas de sais solúveis em água que uma vez aplicados são rapidamente assimilados pelas plantas.


Neste tipo de adubação, é importante observar primeiramente, a composição do adubo que desejamos utilizar, ou seja, a proporção dos nutrientes principais (N, P e K) de acordo com o objetivo de quem cultiva e/ou as necessidades da espécie cultivada.  No mercado é comum encontrarmos adubos com suas formulações em evidência, como por exemplo: 04 14 08 que corresponde a 04% de nitrogênio(N), 14% de fósforo(P), 08% de potássio(K). Essa formulação, conforme podemos constatar na tabela acima é ideal para induzir a floração e frutificação. Já um adubo com a formulação 10 10 10  é utilizado em plantas ornamentais ou em casos em que se deseja um crescimento equilibrado e não tanto floração ou frutificação. E ainda,  um adubo 15 00  00  já é o extremo do primeiro exemplo e seu uso é indicado quando se deseja um crescimento intenso e acelerado.

Outro aspecto muito importante nessa adubação é a estrutura física do adubo, se é líquido, sólido, granulado, se é aplicado diretamente na planta ou diluído em água, se é foliar (pode ser aplicado por pulverização diretamente nas folhas, procedimento que se for utilizado deverá ser feito preferencialmente ao anoitecer ou bem cedo pela manhã) , etc. Nesses casos é fundamental ficar atento aos rótulo do fabricante, e utilizar o produto de acordo com as especificações nele contidas e tomar muito cuidado com os excessos, principalmente no caso do Nitrogênio (N), que pode até causar a morte da planta.

O segredo está na regularidade, equilíbrio e variedade, quanto mais regular e variada a adubação melhor, pois um adubo supre as deficiências do outro.



EXEMPLOS DE ADUBOS INORGÂNICOS

N - P - K (Nitrogênio - Fósforo e Potássio)
Salitre do Chile - ( Rico em Nitrogênio, aproximadamente 16%)
Sulfato de amônia -( Rico em Nitrogênio)
Nitrocálcio - ( Rico em Nitrogênio)
Uréia -( Rico em Nitrogênio)
Superfosfatos - ( Rico em Fósforo)
Cloreto de potássio - (Rico em Potássio)
Sulfato de potássio - (Rico em Potássio)

Já o adubo orgânico, é oriundo de matéria vegetal ou animal e diferencia-se da química por ser de liberação mais lenta, tendo em contrapartida uma ação mais prolongada, além de favorecer a formação e estruturação da micro fauna (fungos e bactérias) normal do solo. Estes adubos são produzidos a partir de elementos naturais (mais exatamente, por meio da decomposição de matéria de origem animal, vegetal ou mineral). Torta de mamona, torta de algodão, farinha de osso, farinha de peixe, farinha de sangue, calcário, cinza de madeira são alguns exemplos.

Pode ser realizada no momento do preparo do substrato para o plantio, através da incorporação de matéria orgânica.  Outra, denominada adubação de cobertura, é realizada através da aplicação do adubo orgânico na superfície do solo no vaso ( é mais utilizada no cultivo do bonsai). Existem algumas formulações comerciais específicas para bonsai disponíveis no mercado, porém a maioria dos produtos é importada, como o Biogold e o Rapeseed, ambos fornecidos na forma de pellets.


Tem maior permanência no solo embora sejam absorvidos de forma mais lenta, isto porque ele demanda algum tempo para se tornarem absorvíveis, ou seja, tem que acontecer toda uma transformação para que o adubo orgânico se transforme nos elementos químicos que serão utilizados pelas plantas. Use preferentemente os orgânicos, deixando os inorgânicos para solos testados como muito fracos. 

Tal tipo permite que você erre um pouco na dosagem, mas possui um cheiro bem forte, na maioria dos casos, este cheiro é produzido durante a fase de fermentação da mistura, depois de alguns dias o odor some quase que por completo. Esse tipo de adubo é mais indicado para quem cultivar bonsai em locais abertos, já que o cheiro pode atrair moscas e incomodar as pessoas.

Já li algumas opiniões validando, para quem está começando, o adubo químico como melhor, seja ele líquido ou sólido, e apesar de já ter utilizado nos meus primeiros dois exemplares o Osmocote, não me sinto seguro de incentivar os químicos e atualmente trabalho apenas com orgânicos.



Para a adubação orgânica de cobertura, o intervalo ideal entre aplicações é de 30 dias. Para plantas em formação é utilizado uma maior quantidade de adubo, com o objetivo de promover um desenvolvimento mais acelerado, ao passo que para árvores formadas utilizaremos apenas o necessário para suprir suas necessidades de manutenção.

EXEMPLOS DE ADUBOS ORGÂNICOS

Torta de Mamona - (Cerca de 5% de Nitrogênio)
Humus - É  resultado da decomposição de restos vegetais e pequena parcela de restos animais.
Humos de Minhoca - Além de um excelente adubo é também um recondicionante das condições físicas e biológicas do solo.
Farinha de Sangue - Rica em Nitrogênio aproximadamente 10%.
Farinha de Osso - Rica em Fósforo. É indicado para plantas floríferas visto que o Fósforo é um estimulante para a floração e frutificação. Para calcular comece pensando que por m2 (metro quadrado) podemos usar de 100 a 300grs.
Farinha de Peixe - Rica em Fósforo 9% e, em Nitrogênio 5%. Valores aproximados.
Cinza de Madeira - É rica em Potássio - Cálcio e Magnésio. É quase imperceptível a presença de Nitrogênio e Fósforo
Estercos - São ricos em macronutrientes (NPK) além de incorporarem matéria orgânica. Nunca devem ser usados ainda frescos, é necessário curtir o esterco deixando secar ao sol por mais ou menos 30 dias. Molhe algumas vezes até que esteja totalmente fermentado.


COMO USAR O ADUBO?

Primeiro devemos molhar as plantas depois adubamos. Principalmente nos fertilizantes químicos pois os mesmos poderiam queimar as plantas.

Uma regra que funciona, com certeza, é a de se usar uma adubação a mais variada possível, intercalando adubos orgânicos e químicos. Como na nossa alimentação, quanto mais diversificada a adubação melhor. Existem muitos adubos à nossa volta que simplesmente nem os notamos. É o caso da borra de café, por exemplo, que trata-se de um excelente estimulante vegetal e a jogamos no lixo. Basta usarmos a criatividade e observação que com certeza temos inúmeras opções de adubação bem regionais, baratas e fáceis à nossa volta.
Além disso, respostas à adubação podem influenciar aspectos diretamente ligados à aplicação de técnicas. Se for usado adubo demais, provoca-se um desenvolvimento acelerado, o que, no caso do bonsai, pode levá-lo a perder sua forma planejada.



Em geral, plantas com forma bem definida e em estágio avançado de desenvolvimento precisam de menos adubo e/ou um adubo com menor percentual de nitrogênio e com maiores percentuais de fósforo e potássio . Já uma planta jovem, ainda em formação, precisará de mais adubação e/ou uma  formulação de adubo com maior percentual de nitrogênio.

COMO ESCOLHO UMA FORMULAÇÃO DE ADUBO PARA AS PLANTAS?

Os adubos são compostos de diversos minerais e no seu rotulo vem especificado as quantidades ou porcentagens destes. Existem formulas tradicionais de adubos como por exemplo: N.P.K. 4.14.8. significa que este adubo contém 4% de (N) Nitrogênio, 14% de (P) Fósforo e 8% de (K) Potássio.

Na fórmula acima podemos observar que as quantidades de Fósforo (P) são maiores e isto significa que este adubo pode atuar nas deficiências de floração e frutificação. Então se você está tendo algum problema de floração ou frutificação, você deve usar uma formulação de adubo que seja “carregado” de Fósforo.

Ao passo que se você precisar de atuar no verde da planta, nas suas folhas, você deve usar uma formulação “carregada” de Nitrogênio (N) como por exemplo: N.P.K. 15.8.8. – Ou usar o salitre do Chile que contém apenas Nitrogênio, na faixa de 15%.
Com estas orientações, você não precisa mais cair nas armadilhas de vendedores, ou de rótulos que contém informações indevidas ou enganosas. Não é nenhuma surpresa encontrarmos adubos que prometem mais flores para sua planta e o mesmo vir “carregado” de Nitrogênio (N) em sua fórmula.

Neste caso, um adubo “carregado” de Nitrogênio (N) vai favorecer ou estimular a parte verde da planta, e muitas vezes prejudicando a floração ou frutificação. Se você está tendo problemas de floração ou frutificação, você deve usar um adubo que seja “carregado” em Fósforo (P).

Adubos “carregados” em Nitrogênio (N) ou seja, o percentual do mesmo é maior do que os outros nutrientes, atuam na parte verde da planta e os adubos “carregados” em Fósforo (P) atuam na floração e frutificação.

Saiba também que quando você usa um adubo “carregado” de Nitrogênio, você desfavorece a floração e a frutificação. Você deve usar as fórmulas de acordo com as suas necessidades.
Se sua planta está “funcionando” normalmente, você deve usar uma formula de adubo básica, equilibrada em todos seus componentes ou nutrientes, exemplo: N.P.K. 10.10.10. ou N.P.K. 20.20.20. ou N.P.K. 09.08.08 ou 06.08.06 etc. Note que os percentuais de nutrientes são semelhantes em suas quantidades.

E quando eu NÃO devo adubar o meu bonsai?

A – No período que compreende os mês de maio à 15 de julho. Neste caso o período de descanso das plantas está sendo respeitado.
B – Pouco antes e depois da floração. Se incrementar o crescimento vegetativo a partir de adubações, a planta perderá os botões florais. Uma vez que se tenha aparecido os frutos, pode começar de novo com o processo de adubação
C – Logo após transplantar e cortar raízes, é necessário que o sistema radicular se regenere. Espere para adubar após 4 semanas.

Nunca adube uma planta recentemente transplantada! Quando realizar o transplante, faça aplicação apenas de um hormônio enraizador (ou vitamina B1), a planta precisa se adaptar ao seu novo local antes de começar a receber adubo.

Nunca adube uma planta doente. Adubo é alimento, não é remédio. Para “curar” sua planta, você primeiro precisa identificar o problema, saber se é excesso ou falta de água, de sol etc. Só volte a adubar quando ela já estiver estabilizada. Como você vai saber se ela está estabilizada? Simples, quando ela estiver brotando bastante.

Bom, acho que consegui explicar um pouco mais sobre esse tema que é muito discutido nos fóruns entre bonsaístas experientes. Espero que tenha conseguido esclarecer algumas dúvidas, caso tenham alguma pergunta, a caixa de comentários está sempre aberta.