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sábado, 26 de janeiro de 2013

Papo no Clube com Ségio Luis da Silva de Barbacena


Caros amigos e curiosos, boa tarde.

Na matéria deste mês da nossa coluna “Papo no Clube”, vamos conhecer um pouco mais sobre o nosso amigo, por enquanto apenas virtual, de Barbacena, o Sergio Luis da Silva, que divide sua paixão por Bonsai, com sua família, artes plásticas e o motociclismo.

Trabalhando um de seus yamadoris

Sérgio é um colega sempre presente em nosso grupo do facebook (Bonsai Clube de Juiz de Fora) que além de auxiliar os mais jovens, também costuma nos presentear com fotos do desenvolvimento de algumas de suas plantas.

Nesta conversa, ele nos conta como conheceu arte Bonsai e divide um pouco da sua experiência num bate papo “perguntas e respostas”. Espero que gostem.


1)     Há quanto tempo você se dedica a cultivar espécies para Bonsai? Conte um pouco pra nós da sua descoberta da arte e como se deu.

R.  Desde pequeno sempre gostei de miniaturas, e como muitos que se dedicam a arte, a paixão veio no filme “karate kid” quando começou meu desespero em busca de alguma árvore parecida com as do filme. Mas o primeiro que comprei em uma exposição aqui na cidade, foi um ulmos que por falta de conhecimento acabou morrendo. Só então em 1995 resolvi buscar conhecimento por meio de revistas relacionado a bonsai e comecei meu 1º trabalho, uma jabuticaba que tenho até hoje. Comprei em uma floricultura sendo que modifiquei por duas vezes até chegar ao ponto que está e ela me ensinou muito como lidar com elas.

2)     Você já realizou algum curso sobre Bonsai ou participou de algum evento ou workshop que possa indicar para os amigos que acompanham nosso blog? Como absorve conhecimento para aplicar em seus trabalhos?

R. Olha, além da arte bonsai, dedico também a artes plástica, sendo auto didático, mas com relação ao bonsai busquei conhecimento em revistas onde fiquei sabendo do Terra Bonsai do Rock Jr. e em 2 ou 3 visitas a seu viveiro esse gentilmente me passou algumas informações muito importantes. Recomendo esse companheiro que além de muito conhecimento é bastante educado. Agora, conhecimento mesmo vem com o tempo e da própria natureza. Ao longo desse tempo perdi algumas plantas dentre elas 1 belo pinheiro negro que adquiri do Rock com aproximadamente 30 anos da coleção do mestre Hidaka, isso por medo de trocar a terra.

3)     Pelo que acompanho através da internet, você possui um apreço muito grande por Caliandras e Jabuticabeiras. O que o levou a cultivar estas espécies?

R. Sim, pela beleza das plantas, seu formato e tipo de folhagem, mas também tenho outras espécies como: Primavera, pitanga, ulmus, fícus , figo, acerola, amora, uvaia, laranjas kinkan e kinzu. Agora as caliandras acho uma das espécies mais resistentes podendo ser trabalhadas a qualquer época do ano com resultado rápido, digo isso por experiência. Já as jabuticabas eu só faço transplante e poda radical no mês de outubro e tem dado certo.

4)     Quais as dicas que você pode deixar para os amigos que acompanham nosso blog para conseguirem resultados tão bons quanto os seus nestas espécies?

R. Caliandras se consegue fácil, por ser muito usadas em cerca viva. Yamadori é a melhor forma de se conseguir um bom trabalho num prazo de 2 anos de e quando o faço, replanto apenas em areia de rio jogando no primeiro dia superthive “ 5 gotas por 1 litro de água” e após uns 15 a 20 dias adubo com esterco de galinha curtido, pó de café e claro o que não pode faltar o osmocote 15-09-12 – plus – liberação de 8 a 9 meses. Depois com nova folhagem uso também biofert de 15 em 15 dias. 

Já as jabuticabas podem ser encontradas em floriculturas e sempre procuro comprar as que estão com formação de galhos bem baixa e não tenha medo, serre no tamanho desejado não se esquecendo de passar pasta cicatrizante e com os mesmos cuidados que citei para as caliandras. A dica e deixa-los crescer e engrossar para depois podar, se querem galhos grossos espere e se não querem podem podar. Agora sempre digo que a melhor vitamina pra elas é a água da chuva. Outro detalhe, se deixar em pleno sol as folhas diminuem o tamanho e em meio a sombra elas ficam maiores e mais verde e eu prefiro a pleno sol, já as caliandras vermelhas não suportam muito sol.

5)     Que tipos de substrato e adubação vocês utiliza e qual a periodicidade das suas intervenções e manutenções?

R. Bem, para as plantas já desenvolvidas, uso terra, cascalho de areia e caco de telhas e adubação como dito antes, pó de café, esterco de galinha, esse em pouca quantidade para evitar a queima de folhagem, principalmente nas primaveras, osmocote 15-09-12 esse coloco no final do inverno e bioferte o ano todo sendo que diminuo no inverno e outono.

6)     Você também cultiva outras espécies? Quais são e quais suas idades? 

R. Sim, tenho algumas primaveras conseguidas por estaquia de árvore com mais de 50 anos, acerola, laranjas, figos, fícus, pitanga, uvaia.

7)     Também pude perceber que ultimamente realizou alguns Yamadoris. Você faz a busca deles com frequência? Possui alguma preferência?

R. Sim, todas caliandras que tenho, são de yamadori e as colhi de uma fazenda e segundo informações do caseiro elas foram plantadas na época da construção como cerca e acredito que estão com mais de 60 anos e outras como pitangas que coli em quintal de parentes, mexirica, acerolas, figos e amoras.

8)     Na sua região você tem acesso aos insumos, materiais, vasos, ferramentas, etc, para trabalhos em Bonsai? Se não, como obtém o que precisa?

R. Estou em Barbacena e aqui só se consegue a terra, areia o resto vem de fora e até de outros países, isso pela internet.

9)     Você faz parte de algum grupo local, que se encontram para trocar experiências ou mesmo realizarem trabalhos conjuntos?

R. Aqui só conheço o amigo Marcos, esse mora perto de minha casa e sempre trocamos ideias, trabalhamos algumas plantas juntos, yamadori e até vasos chegamos a fazer.

10)  Quais são as suas maiores necessidades para o desenvolvimento da arte Bonsai e que ainda encontra dificuldades de superar?

R. A primeira é que não tenho quintal e cultivo cerca de 40 plantas no terraço, dividindo espaço com varal de secar roupas e a outra é que não se acha nada pra comprar aqui a não ser boas mudas de jabuticabas e são poucos os que praticam a arte aqui.

11)  Quais suas dicas principais para os iniciantes na arte Bonsai?

R. A mais difícil ao iniciante, paciência, busca por conhecimento que hoje ficou muito fácil com a internet e todo principiante fica ansioso por um exemplar já desenvolvido, tentar adquirir plantas já desenvolvidas em floriculturas e nunca diga que é para bonsai senão eles dobram os preços, façam bastante contato com quem já está a mais tempo na arte e observem as reações das plantas ao trato.

Sempre estou a disposição quando assunto é bonsai e sinto bem em poder dividir conhecimento para o aumento de praticantes nessa arte que nos ajuda a desenvolver paciência e tranquilidade.

Aqueles que quiserem conhecer um pouco mais sobre o nosso amigo Sérgio e suas paixões, ele nos autorizou a divulgar seu facebook, que segue o link em anexo: https://www.facebook.com/sergio.luisdasilva.79?fref=ts.

Vejam abaixo alguns dos belíssimos exemplares do nosso amigo. Obrigado Sérgio.












quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Correção do Nebari do Ficus Benjamina - Projeto 22

Caros Amigos,

Aos poucos vamos atualizando cada trabalho das plantas, bem como apresentando novas técnicas, utensilios, insumos, plantas e por vezes, repetindo algum forma de trabalho, sempre procurando buscar o melhor para cada planta. No caso, realizei mais uma vez um alporque, como pude trabalhar em outras oportunidades, com 50% de êxito, já que na Bouga de Yamadori deu certo e no Ligustro não deu.

Contudo, o que difere nesta tentativa, é que ao contrário da reprodução que tentei em outras vezes, o objeto deste alporque é a correção do nebari (pés/raízes) do meu Ficus Benjamina.

Como pode ser percebi na postagem anterior (http://bonsaijuizdefora.blogspot.com.br/2012/02/projeto-n-22-ficus-benjamina.html) me foi sugerido a correção do mesmo de forma a promover melhor harmonia no conjunto.

Assim, seguem registros deste trabalho:

Primeiro os cortes radiais na casca da planta bem na base onde quero que nasçam novas raízes:





A seguir o encaixe do recipiente que vai envolver o corte com 100% de areia. Após utilizar plasticos e trouxas com asfagno, me dei (e as plantas também) melhor com o envolvimento em vasinhos somente com areia, primeiro pela maior facilidade em aguar e segundo, que também é mais fácil para verificar se as raízes estão se desenvolvendo.





A seguir já contendo a areia.



Agora, é aguardar, mantendo o recipiente sempre úmido, por alguns meses. Assim que tiver novidades sobre o resultado trago notícias.

Para mais informações sobre meu Ficus Benjamina, acesse: http://bonsaijuizdefora.blogspot.com.br/2012/02/projeto-n-22-ficus-benjamina.html.

domingo, 29 de abril de 2012

ADUBAÇÃO


Prezados,

Hoje segui meu calendário de cuidados para Bonsai e promovi a segunda rodada de adubação do Outono em meu viveiro, a primeira em algumas espécies: Cipreste, Tuia Nana, Tuia Jacaré, Shimpaku, Romã, Ligustro, Ficus, Serissa e Cerejeira.

Minhas plantas trabalhadas hoje


Utilizei apenas Torta de Mamona, um adubo orgânico de fácil aplicação e ideal para iniciantes.

O tema adubação é muito delicado e por isso trago um compilado de informações que pude levantar nos últimos meses em meus estudos.

Na natureza, as árvores são capazes de conseguir alimento diretamente do chão, contudo, no Bonsai as plantas em uma bandeja, a situação muda. Por estar em um recipiente pequeno, com pouca terra, o bonsai pode rapidamente consumir todos os nutrientes presentes naquele solo, e é por isso que adubamos, para repor esses nutrientes e continuar provendo alimento para a árvore.

A adubação que os cultivadores promovem trata da reposição dos nutrientes retirados do solo pelas plantas e pelas chuvas e colaboram com a geração de energia através da Fotossíntese.

Fotossíntese é um processo químico realizado pelas plantas, para transformar matéria mineral em matéria orgânica, que é a base de sua alimentação. No processo da fotossíntese as plantas transformam aqueles minerais nutrientes disponíveis no solo em um tipo de açúcar que utilizam para se alimentar. Abordamos a fotossíntese e a fisiologia vegetal no post ("Fisiologia Vegetal")

E quando falamos de árvores em vasos, equilíbrio no cultivo não é fácil de conseguir. Demanda muita humildade, observação, estudo e disciplina.  Abrange a rega adequada, quantidade ideal de exposição ao sol e nutrientes disponibilizados. E tudo isso na mesma importância de relevância ao resultado final.

A adubação é um dos principais procedimentos no cultivo do bonsai. Pode ser considerada uma verdadeira ferramenta de trabalho, pois além de garantir a saúde da árvore, nos permite alcançar com maior eficiência nossos objetivos, desde que usada adequadamente.

As árvores têm diferentes necessidades de nutrientes para cada estação, estágio de desenvolvimento e espécie. Partindo desse princípio, e com o uso do bom senso, precisamos adequar as diferentes formas de adubação (química ou orgânica) a estas diferentes necessidades.

E como saber se preciso adubar o meu bonsai?

Se temos uma muda nova cujo objetivo é que ela engrosse o tronco, temos que  lhe proporcionar uma adubação rica principalmente em nitrogênio e enxofre, para que se desenvolva o mais rápido e acelerado possível. Já um bonsai formado, a adubação será com baixos índices de nitrogênio e rico em fósforo( P ) e potássio( K ), dessa forma ele terá um crescimento lento onde será priorizado o trabalho de refinamento de sua estrutura e, no caso das frutíferas e floríferas, floração e frutificação.

Outro manejo que propicia bons resultados e que ilustra bem o uso específico pra cada estação é o uso de adubos ricos em Fósforo ( P ) e Potássio ( K ) durante o outono e inverno, período em que a árvore está fazendo sua reserva e com índices mais altos de Nitrogênio ( N ) na Primavera e verão, período de maior intensidade vegetativa.

A tabela abaixo especifica a função dos principais nutrientes.

Macronutrientes
Nitrogênio (N)
Responsável pela síntese de proteínas é muito importante  no crescimento das plantas sendo um excelente estimulante. Ë atuante em todas fases de crescimento, desde a brotação até a floração e frutificação. O excesso desse nutriente diminui a resistência da planta.
Fósforo (P)
Age na floração, frutificação e formação de sementes e raízes,  é importantíssimo na produção de energia  e está presente em todas as fases de crescimento.
Potássio (K)
É indispensável à perfeita estruturação celular das plantas. Permite aumentar sua capacidade de resistência à falta de água e às pragas e doenças. Auxilia na formação das raízes, amadurecimento, sabor e cor dos frutos e ainda na absorção de água e demais nutrientes.
Cálcio (Ca)
Essencial para formação  e fortalecimento de todas as partes da planta, em especial as raízes e folhas uma vez que sua falta compromete a absorção de nitratos. É um importante aliado na prevenção de doenças.
Magnésio (Mg)
Está diretamente ligado ao metabolismo energético das plantas sendo parte integrante da molécula da clorofila. É responsável pela formação dos diversos pigmentos das flores e frutos.
Enxofre (S)
É importantíssimo na absorção do nitrogênio e ativador de diversas enzimas relacionadas com o metabolismo energético
Cloro (Cl)
Fundamental na fotossíntese está diretamente relacionado ao metabolismo da água e a transpiração das plantas.
Micronutrientes
Ferro (Fe)
Importante elemento no metabolismo energético. Atua na fixação do nitrogênio e desenvolvimento do tronco e raízes.
Boro (B)
Contribui para a maior força e resistência dos tecidos vegetais sendo  atuante  no desenvolvimento e brotação de gemas e folhas.
Zinco (Zn)
Ativa diversas enzimas relacionadas aos mecanismos de defesa vegetal sendo essencial para a biossíntese dos hormônios necessários ao desenvolvimento, floração e frutificação.
Manganês (Mn)
Participa do metabolismo energético respiratório e é muito importante para a formação da clorofila,
Cobre (Cu)
Atua na diretamente na prevenção de doenças, pois contribui para a formação de pigmentos e substâncias que defendem as plantas contra a ação de fungos e outros parasitas
Molibidênio (Mo)
Está diretamente ligado ao metabolismo do nitrogênio, e ao desenvolvimento global do vegetal, principalmente a floração e a frutificação. É o micronutriente menos abundante nos solos.
Cobalto (Co)
Importante ativador de enzimas ligadas a biossíntese dos lipídios (gorduras) está diretamente relacionado com o metabolismo energético e de defesa das plantas

TIPOS DE ADUBO



Existem basicamente dois: químico e orgânico.

O adubo químico é obtido da extração mineral ou derivado de petróleo. Devido a alta concentração é aproveitado pelas plantas de forma mais rápida, razão pela qual devemos aplicá-los com conhecimento para não causarmos danos às plantas.

Tem a grande vantagem de não produzir qualquer tipo de odor, ou seja, ideal para quem cultiva bonsai dentro de casa, mas possui uma grande desvantagem também, caso você erre na dose do adubo, colocando mais do que o necessário, você pode matar seu bonsai, por isso use sempre metade de quantidade indicada pelo fabricante, lembre-se que esses adubos químicos não são feitos especificamente para bonsai, então eles não levam em consideração o tamanho reduzido do vaso, a quantidade menor de substrato e nem a rápida absorção pelas raízes.

É uma adubação mais rápida e eficiente, principalmente os adubos foliares, pois são misturas de sais solúveis em água que uma vez aplicados são rapidamente assimilados pelas plantas.


Neste tipo de adubação, é importante observar primeiramente, a composição do adubo que desejamos utilizar, ou seja, a proporção dos nutrientes principais (N, P e K) de acordo com o objetivo de quem cultiva e/ou as necessidades da espécie cultivada.  No mercado é comum encontrarmos adubos com suas formulações em evidência, como por exemplo: 04 14 08 que corresponde a 04% de nitrogênio(N), 14% de fósforo(P), 08% de potássio(K). Essa formulação, conforme podemos constatar na tabela acima é ideal para induzir a floração e frutificação. Já um adubo com a formulação 10 10 10  é utilizado em plantas ornamentais ou em casos em que se deseja um crescimento equilibrado e não tanto floração ou frutificação. E ainda,  um adubo 15 00  00  já é o extremo do primeiro exemplo e seu uso é indicado quando se deseja um crescimento intenso e acelerado.

Outro aspecto muito importante nessa adubação é a estrutura física do adubo, se é líquido, sólido, granulado, se é aplicado diretamente na planta ou diluído em água, se é foliar (pode ser aplicado por pulverização diretamente nas folhas, procedimento que se for utilizado deverá ser feito preferencialmente ao anoitecer ou bem cedo pela manhã) , etc. Nesses casos é fundamental ficar atento aos rótulo do fabricante, e utilizar o produto de acordo com as especificações nele contidas e tomar muito cuidado com os excessos, principalmente no caso do Nitrogênio (N), que pode até causar a morte da planta.

O segredo está na regularidade, equilíbrio e variedade, quanto mais regular e variada a adubação melhor, pois um adubo supre as deficiências do outro.



EXEMPLOS DE ADUBOS INORGÂNICOS

N - P - K (Nitrogênio - Fósforo e Potássio)
Salitre do Chile - ( Rico em Nitrogênio, aproximadamente 16%)
Sulfato de amônia -( Rico em Nitrogênio)
Nitrocálcio - ( Rico em Nitrogênio)
Uréia -( Rico em Nitrogênio)
Superfosfatos - ( Rico em Fósforo)
Cloreto de potássio - (Rico em Potássio)
Sulfato de potássio - (Rico em Potássio)

Já o adubo orgânico, é oriundo de matéria vegetal ou animal e diferencia-se da química por ser de liberação mais lenta, tendo em contrapartida uma ação mais prolongada, além de favorecer a formação e estruturação da micro fauna (fungos e bactérias) normal do solo. Estes adubos são produzidos a partir de elementos naturais (mais exatamente, por meio da decomposição de matéria de origem animal, vegetal ou mineral). Torta de mamona, torta de algodão, farinha de osso, farinha de peixe, farinha de sangue, calcário, cinza de madeira são alguns exemplos.

Pode ser realizada no momento do preparo do substrato para o plantio, através da incorporação de matéria orgânica.  Outra, denominada adubação de cobertura, é realizada através da aplicação do adubo orgânico na superfície do solo no vaso ( é mais utilizada no cultivo do bonsai). Existem algumas formulações comerciais específicas para bonsai disponíveis no mercado, porém a maioria dos produtos é importada, como o Biogold e o Rapeseed, ambos fornecidos na forma de pellets.


Tem maior permanência no solo embora sejam absorvidos de forma mais lenta, isto porque ele demanda algum tempo para se tornarem absorvíveis, ou seja, tem que acontecer toda uma transformação para que o adubo orgânico se transforme nos elementos químicos que serão utilizados pelas plantas. Use preferentemente os orgânicos, deixando os inorgânicos para solos testados como muito fracos. 

Tal tipo permite que você erre um pouco na dosagem, mas possui um cheiro bem forte, na maioria dos casos, este cheiro é produzido durante a fase de fermentação da mistura, depois de alguns dias o odor some quase que por completo. Esse tipo de adubo é mais indicado para quem cultivar bonsai em locais abertos, já que o cheiro pode atrair moscas e incomodar as pessoas.

Já li algumas opiniões validando, para quem está começando, o adubo químico como melhor, seja ele líquido ou sólido, e apesar de já ter utilizado nos meus primeiros dois exemplares o Osmocote, não me sinto seguro de incentivar os químicos e atualmente trabalho apenas com orgânicos.



Para a adubação orgânica de cobertura, o intervalo ideal entre aplicações é de 30 dias. Para plantas em formação é utilizado uma maior quantidade de adubo, com o objetivo de promover um desenvolvimento mais acelerado, ao passo que para árvores formadas utilizaremos apenas o necessário para suprir suas necessidades de manutenção.

EXEMPLOS DE ADUBOS ORGÂNICOS

Torta de Mamona - (Cerca de 5% de Nitrogênio)
Humus - É  resultado da decomposição de restos vegetais e pequena parcela de restos animais.
Humos de Minhoca - Além de um excelente adubo é também um recondicionante das condições físicas e biológicas do solo.
Farinha de Sangue - Rica em Nitrogênio aproximadamente 10%.
Farinha de Osso - Rica em Fósforo. É indicado para plantas floríferas visto que o Fósforo é um estimulante para a floração e frutificação. Para calcular comece pensando que por m2 (metro quadrado) podemos usar de 100 a 300grs.
Farinha de Peixe - Rica em Fósforo 9% e, em Nitrogênio 5%. Valores aproximados.
Cinza de Madeira - É rica em Potássio - Cálcio e Magnésio. É quase imperceptível a presença de Nitrogênio e Fósforo
Estercos - São ricos em macronutrientes (NPK) além de incorporarem matéria orgânica. Nunca devem ser usados ainda frescos, é necessário curtir o esterco deixando secar ao sol por mais ou menos 30 dias. Molhe algumas vezes até que esteja totalmente fermentado.


COMO USAR O ADUBO?

Primeiro devemos molhar as plantas depois adubamos. Principalmente nos fertilizantes químicos pois os mesmos poderiam queimar as plantas.

Uma regra que funciona, com certeza, é a de se usar uma adubação a mais variada possível, intercalando adubos orgânicos e químicos. Como na nossa alimentação, quanto mais diversificada a adubação melhor. Existem muitos adubos à nossa volta que simplesmente nem os notamos. É o caso da borra de café, por exemplo, que trata-se de um excelente estimulante vegetal e a jogamos no lixo. Basta usarmos a criatividade e observação que com certeza temos inúmeras opções de adubação bem regionais, baratas e fáceis à nossa volta.
Além disso, respostas à adubação podem influenciar aspectos diretamente ligados à aplicação de técnicas. Se for usado adubo demais, provoca-se um desenvolvimento acelerado, o que, no caso do bonsai, pode levá-lo a perder sua forma planejada.



Em geral, plantas com forma bem definida e em estágio avançado de desenvolvimento precisam de menos adubo e/ou um adubo com menor percentual de nitrogênio e com maiores percentuais de fósforo e potássio . Já uma planta jovem, ainda em formação, precisará de mais adubação e/ou uma  formulação de adubo com maior percentual de nitrogênio.

COMO ESCOLHO UMA FORMULAÇÃO DE ADUBO PARA AS PLANTAS?

Os adubos são compostos de diversos minerais e no seu rotulo vem especificado as quantidades ou porcentagens destes. Existem formulas tradicionais de adubos como por exemplo: N.P.K. 4.14.8. significa que este adubo contém 4% de (N) Nitrogênio, 14% de (P) Fósforo e 8% de (K) Potássio.

Na fórmula acima podemos observar que as quantidades de Fósforo (P) são maiores e isto significa que este adubo pode atuar nas deficiências de floração e frutificação. Então se você está tendo algum problema de floração ou frutificação, você deve usar uma formulação de adubo que seja “carregado” de Fósforo.

Ao passo que se você precisar de atuar no verde da planta, nas suas folhas, você deve usar uma formulação “carregada” de Nitrogênio (N) como por exemplo: N.P.K. 15.8.8. – Ou usar o salitre do Chile que contém apenas Nitrogênio, na faixa de 15%.
Com estas orientações, você não precisa mais cair nas armadilhas de vendedores, ou de rótulos que contém informações indevidas ou enganosas. Não é nenhuma surpresa encontrarmos adubos que prometem mais flores para sua planta e o mesmo vir “carregado” de Nitrogênio (N) em sua fórmula.

Neste caso, um adubo “carregado” de Nitrogênio (N) vai favorecer ou estimular a parte verde da planta, e muitas vezes prejudicando a floração ou frutificação. Se você está tendo problemas de floração ou frutificação, você deve usar um adubo que seja “carregado” em Fósforo (P).

Adubos “carregados” em Nitrogênio (N) ou seja, o percentual do mesmo é maior do que os outros nutrientes, atuam na parte verde da planta e os adubos “carregados” em Fósforo (P) atuam na floração e frutificação.

Saiba também que quando você usa um adubo “carregado” de Nitrogênio, você desfavorece a floração e a frutificação. Você deve usar as fórmulas de acordo com as suas necessidades.
Se sua planta está “funcionando” normalmente, você deve usar uma formula de adubo básica, equilibrada em todos seus componentes ou nutrientes, exemplo: N.P.K. 10.10.10. ou N.P.K. 20.20.20. ou N.P.K. 09.08.08 ou 06.08.06 etc. Note que os percentuais de nutrientes são semelhantes em suas quantidades.

E quando eu NÃO devo adubar o meu bonsai?

A – No período que compreende os mês de maio à 15 de julho. Neste caso o período de descanso das plantas está sendo respeitado.
B – Pouco antes e depois da floração. Se incrementar o crescimento vegetativo a partir de adubações, a planta perderá os botões florais. Uma vez que se tenha aparecido os frutos, pode começar de novo com o processo de adubação
C – Logo após transplantar e cortar raízes, é necessário que o sistema radicular se regenere. Espere para adubar após 4 semanas.

Nunca adube uma planta recentemente transplantada! Quando realizar o transplante, faça aplicação apenas de um hormônio enraizador (ou vitamina B1), a planta precisa se adaptar ao seu novo local antes de começar a receber adubo.

Nunca adube uma planta doente. Adubo é alimento, não é remédio. Para “curar” sua planta, você primeiro precisa identificar o problema, saber se é excesso ou falta de água, de sol etc. Só volte a adubar quando ela já estiver estabilizada. Como você vai saber se ela está estabilizada? Simples, quando ela estiver brotando bastante.

Bom, acho que consegui explicar um pouco mais sobre esse tema que é muito discutido nos fóruns entre bonsaístas experientes. Espero que tenha conseguido esclarecer algumas dúvidas, caso tenham alguma pergunta, a caixa de comentários está sempre aberta.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Projeto nº 22 - Ficus Benjamina

Amigos e curiosos, boa noite.


Hoje vou apresentá-los mais um projeto que estava pendente de postagem, assim como outros 8 que ainda estou devendo trazer ao vosso conhecimento.


Quando estive em Dona Euzebia (http://bonsaijuizdefora.blogspot.com/2011/09/visita-dona-eusebia.html), ainda que rapidamente, trouxe como um brinde um Fiucs Benjamina, muito comum em viveiros, floriculturas e estabelecimentos de paisagismo pelo seu apelo estético e de fácil cuidado.


A seguir alguns exemplos comumente encontrados em portarias de prédios e varandas de casas.

Exemplar em sua forma original



Algumas informações técnicas sobre a espécie:



Nome científico: Ficus benjamina
Nome comum ou popular: Ficus benjamina, Ficus anão Amate
Família: Moraceae (Moraceae).
Origem: Índia.
- O Ficus benjamina é uma das plantas de interior mais cultivados.Árvore verde tropical da casca cinzenta e lisa. Folhas ovaladas, toda brilhante e nítida.
- Estilos: aceita todos os estilos do Bonsai, mas são muito utilizados a formação de florestas e hokidachi.
Luz:  Aceita sol em abundância mas resiste bem com pouca iluminação solar.
- Substrato: 60% de cobertura, 10% de turfa e 30% de cascalho ou equivalente.
- Irrigação:  No outono e no inverno deve ser regada de uma forma moderada, apenas quando o substrato é parcialmente seco.
- Adubação:  Da primavera até o outono, a cada 25-30 dias. Não adubar no inverno
- Poda: A poda deve ser feita na primavera.
- Poda de brotos e ramos, quando o tronco atinge 4-6 folhas, cortados deixando duas folhas.
- Todos os ficus quando cortados emitem látex, que atua como uma cura de feridas, por isso não há necessidade de utilizar um composto de vedação para o corte.
- Os primeiros passos importantes no sistema radicular deve ser efectuado durante o transplante e redução das raizes.
- Se as raízes não apresentam garantias suficientes para o desenvolvimento devera ser feita uma desfolha completa.
- A aramação do ficus, pode ser feita em qualquer época do ano.
- É necessário proteger a casca e monitorá-las periodicamente pois seu crescimento é muito rápido podendo marcar a casca.
- Retirar o arame dentro de 6-8 semanas.
- Pode ser facilmente fundidos troncos de árvores diferentes unidas por simples contato de toque.
- Transplante: A cada 2 anos, na primavera, utilizando um substrato à base de 60% de cobertura morta, a turfa 10% e 30% de areia grossa.
- Multiplicação: Para estacas, fácil no verão, as estacas 5-10 cm e plantadas em uma mistura de areia e turfa, também pode ser obtido pela colocação de estacas enraizadas na água. Por alporquia, como todos os Ficus e por sementes, apenas em uma ampla casa de vegetação e propagação.
A seguir alguns belos exemplares da espécie:










Escolhi esse Ficus por sua aparente facilidade no cultivo e cuidado, por responder bem as intervenções e ser bem adaptado ao clima da nossa região. Aproveitei e já trouxe ele "foiçado" para caber no carro, uma vez que já tinha mais de 2 metros de altura:







No transplante para o escorredor, identifiquei enormes e solitárias raízes e empolguei em tentar um estilo que ainda não trabalhei, o Raiz sobre pedra, tal como uma das fotos exemplares acima:




Depois de transplantada, percebi que não cresce brotação nova se não no único lugar já com crescimento. 





Durante a busca sobre um modelo de pedra para encaminhar entre as raízes, fui convencido pelos amigos do Forum do Atelier do Bonsai a corrigir o nebari da planta, trazendo mais qualidade e padrão como no exemplar abaixo:




Provavelmente estarei providenciando um alporque na região mais alta das raízes e voltarei a enterra-lo completamente em recipiente fundo e aguardar o seu desenvolvimento. O resultado esperado acompanha a ilustração seguinte, procurando uma distribuição mais radial das raízes:




Ainda não decidi o estilo da parte aérea do exemplar e estarei me dedicando à correção do Nebari e tão logo tenha novidades, trarei atualizações.


Abs e boa noite.